Aliás, já era para você ter sido transferido para lá. Se isso não aconteceu, clique aqui: www.textaneando.wordpress.com
Domingo, Dezembro 07, 2008
Mudança
Geminianos odeiam rotina. Por isso, agora que já fa zum ano que eu estou no Blogspot, passei para o Wordpress. Definitivamente, bem melhor.
Sábado, Novembro 22, 2008
Obsessão Momentânea
Eu funciono da seguinte maneira: leio três livros em duas semanas. Passo as próximas cinco sem virar uma página. Aí a obsessão retorna e me carrega junto com ela. Quatro romances depois, ignoro minha prateleira carregada deles.
Como classificar torna tudo mais fácil, vamos chamar meu comportamento de "obsesões momentâneas". Eu sou uma POM. Pessoa de obsessões momentâneas.
Ontem terminei de ler Memórias de Uma Gueixa, romance tomado por empréstimo de uma grande arquinimiga minha que não vale a pena citar aqui (por isso ela mesma se cita aqui).
Devorei cada uma das 450 páginas em exatos seis dias. Tudo bem que só trabalhei em três, mas mesmo assim considerei o fato uma maratona de leitura para uma pessoa com tantas distrações ao redor como eu (TV, geladeira e casa da melhor inimiga estiveram entre os obstáculos deste período).
Quando uma POM coloca fim a uma das etapas de sua obsessão, há de se entender que o desespero para chegar à próxima se transforma em uma espécie de compulsão. E foi com este espírito ansioso e violento que eu me dirige à estante.
Não foi fácil chegar ao título. Primeiro pensei em uma biografia. Aí lembrei que, neste tipo de livro, a maior provação é passar por 50 páginas de infância triste e pobre para chegar na parte que realmente interessa. Haja saco.
Dirigi meu olhar a um volume de teoria crítica do teatro. Genial. Perfeito. Tudo o que eu sempre quis ler. Não hoje. (Venho repetindo este processo diante da crítica teatral há, pelo menos, 18 meses)
Que tal se eu fosse ler, então, um romance francês clássico de 800 páginas? Muita coisa e, afinal, Balzac mereceu a atenção do CTB (Caio Túlio. O resto vocês advinham) Não pegou nada bem para Balzac. Vai demorar alguns anos para eu desvencilhar uma imagem da outra. Isso é que dá andar em más companhias.
Por fim, pensei em descer e dar uma olhada na estante de livros do escritório do meu pai. Foi ali que os encontrei. Agatha Christie. Mais de 30 exemplares. O paraíso perfeito, governado por um homenzinho belga de cabeça de ovo conhecido como Hercule Poirot. Folheei cada um dos volumes e, aos poucos, fui lembrando o final de cada trama. Há de se entender que não dá para reler livros de suspense ao concluir que o suspense acabou. Pena. Acabei escolhendo Milton Hatoum, porque não posso desperdiçar a fúria de leitora que está dentro de mim agora.
Uma POM corre o risco de ser tratada como irresponsável, de se dedicar tanto a um aspecto da sua vida por alguns dias que esquece todos os outros. Mas enquanto aquele livro, aquele seriado ou aquela peça de teatro me absorvem eu sou a pessoa mais competente do mundo para falar do assunto. Ou não. Na verdade, não me importa que eu seja a melhor, apenas que eu esteja convencida disso.
Quinta-feira, Novembro 13, 2008
Segunda-feira, Novembro 10, 2008
Não encontrei Jesus
Vamos fazer uma festa pra ele? Lá vamos eu e uma amiga atrás daquilo que deveria ser a sensação da comemoração. Guaraná Jesus. Não há viva alma que tenha passado por uma de suas aulas sem ter ouvido sobre a tal bebida do Maranhão. Guaraná rosa. Mó legal, palavras dele.
Tem uma casa de comes e bebes do Norte no Paraíso, perto da Cubatão. Fizemos o caminho a pé, descemos em busca do elixir. No endereço indicado, uma farmácia. Vai ver é tão bom que esconde poderes curativos, pensamos. Não, não esconde. Não tinha Guaraná Jesus lá. O mais próximo disso que o velhinho tinha ouvido falar era uma Igreja na esquina. Ok, não era o que procurávemos.
Que tal ir para a Estação da Luz? Várias casas do Norte por lá. Não, minha amiga já tinha passado em muitas e nada. Provavelmente, a garrafa mais próxima estava no Maranhão mesmo. Imagino um monopólio de mercado dos grandes, com barreiras nas fronteiras e proteções alfandegárias. Ninguém entra e ninguém sai enquanto não for revistado.
Voltamos para a festa surpresa, sem guaraná Jesus. Bebemos Coca-Cola e Kuat mesmo. Um bolo de chocolate e chapéuzinho de festa resolveriam o assunto. Fiquei triste, triste de saber que tinha falhado. Que não tinha conseguido encontrar o presente que ia abrir um sorriso envergonhado no rosto dele. Ele diria que não precisava, que ele se sentia muito honrado por tudo, pela consideração e pelo esforço que fizémos para agradá-lo.
Faz um ano. Eram 30, agora a barreira já foi devidamente consolidada. Não é mais um garoto de vinte e poucos anos. Mas ainda tem um livro de brincadeiras para garotos e um senhor cabeça de batata. Tem também um pós-doutorado na Inglaterra e o trabalho de me orientar no projeto que vai decidir se eu posso ou não ser conhecida como Sra. Jornalista Formada - ao invés de Srta. Aprendiz de Jornalista.
Obrigada, querido. Sinto muito a sua falta, principalmente porque a vida é dificil deste lado do Oceano sem um orientador - e um amigo - como você. Conto os dias para janeiro. Parabéns.
Sexta-feira, Novembro 07, 2008
Acadêmicos
Não é de propósito, não parece ser de propósito. Mas me irrita profundamente. Professor entra na sala. Professor explana sobre seu currículo, pontuando, é claro, que foi orientando de um gênio durante um mestrado, que traduziu o livro de outro pouco depois. Ninguém pode culpá-lo. Afinal, qualquer curso começa com a apresentação de seu professor. É sua obrigação, não vício da vaidade.
Durante a aula, todas as informações na ponta da língua. Inclusive com pequenas fofocas acadêmicas e piadas planejadas e cultivadas na experiência de anos de aula. É fácil notar sacadas prontas, para quem tem certa experiência em sentar em carteiras. Mas é claro que o professor conta com a falta de experiência dos alunos - e com a incapacidade deles de perceber que tudo aquilo que parecia tão espontâneo e engraçado não passa de uma encenação. Sorte dele que a encenação é, para mim, a única maneira de atingir a verdade. Mas vamos voltar ao professor.
Um dos maiores críticos de teatro da atualidade. Pelo menos até um mês, quando escrevia para o maior jornal do Brasil. Ou seja, vale a pena escutar este cara. Mas tantos outros detalhes tiravam minha atenção. Ele é sério, muito sério. Tem a pose de acadêmico sisudo - que se abre para brincadeiras de quando em quando, mas conserva a postura de gente importante. Em suas histórias, não quer revelar os envolvidos. Porque acha que isso vai ter alguma conseqüência. É claro que vai mesmo. Mas o fato dele saber disso diz muito mais sobre o assunto. Ele não é um qualquer, é um iniciado nos trâmites da carreira acadêmica.
Por isso me olha como se fosse melhor do que eu. E ainda se envaidece quando percebe um olhar admirado. Cita Molière, porque não se sai de uma aula de crítica teatral sem citar Molière. O mesmo com Shakespeare. Ele não faz de propósito. Ele não parece fazer de propósito.
Mas me deu um certo nojo do procedimento todo. Eu volto para a aula da semana que vem, mas preciso me policiar para não desviar a atenção para o tal procedimento todo. Ele me lembra que, para ser bem sucedido neste meio, é preciso praticar uma habilidade conhecida como marketing pessoal. Entenda este meio por vida humana no século XXI. Ele conhece todo mundo no teatro. É amigo de todo mundo no teatro. E ainda assim acha que isso não prejudica em nada sua percepção dos espetáculos a que assiste.
Parte de fazer crítica de teatro é tomar chopp na Praça Roosevelt? É fazer parte da panelinha central do teatro? Como isso ajuda? É perfeitamente compreensível que ele queira se tornar amigo das pessoas que admira no palco, de quem fala bem de seu trabalho. Mas ele me perdeu. Meses antes de sua saída da Folha de S.Paulo, eu já não lia mais Sérgio Sálvia Coelho. Eu freqüento a praça, eu sei com quem ele anda, eu posso tentar dizer quem ele é. E posso encontrar em sua crítica resquícios muito profundos disso.
Outro ponto: o crítico que vem da arte, que se formou em direção teatral pela Usp e fez um mestrado em dramaturgia, não sabe o que é leitor. A noção mais clara do jornalismo é que ele não existiria sem este pequeno detalhe: aquele que abre a página do jornal e dá vida ao seu texto. Para o crítico que estamos criticando aqui, é óbvia a idéia de que a interpretação da platéia é parte do processo de composição de uma obra teatral. Mas não dá muito crédito àquilo que o seu público pode pensar do que lê. Entre os tipos de crítica, cita sempre o texto em relação ao encenador. A crítica pedagógica é aquela que ensina o encenador a melhorar seu trabalho. Então não existe um nome para definir aquela crítica que presta atenção no leitor e o citua no espetáculo? A postura é o equivalente a assumir - e fazer as pazes com - a idéia de que só quem lê sobre teatro é quem faz teatro. Eu leio. Eu não faço, eu gosto. É egoísmo demais querer que o jornal que eu comprei pense um pouco em mim?
Eu tenho um projeto de monografia sobre como o gosto - e o capital do gosto, já que eu ia me meter pelos franceses pra justificar isso - interfere na postura do crítico teatral. Para análise de caso, ia me concentrar em Folha, Estado e Bravo. Como estudo (pouco), trabalho (muito) e tenho um almanaque de séries para concluir, deixei pra fazer isso num futuro mestrado, que pode vir um dia se eu me sentir inteligente o suficiente e conseguir reunir cada gotinha de espírito acadêmico-prepotente que existe em mim.
Quem sabe eu consiga responder por que a crítica se concentra tanto nela mesma e nas pessoas de quem fala. Resenhistas sem formação jornalística (e os jornalistas ruins também) costumam tratar a crítica como um exercício de criação de uma obra de arte em público. O papel é seu palco. Dialogam com o objeto analisado, para usar termos mais científicos, na presença de uma platéia. Mas não conseguem olhar para os olhos de quem está sentado, tomá-lo pela mão e convidá-lo a participar do espetáculo.
Durante a aula, todas as informações na ponta da língua. Inclusive com pequenas fofocas acadêmicas e piadas planejadas e cultivadas na experiência de anos de aula. É fácil notar sacadas prontas, para quem tem certa experiência em sentar em carteiras. Mas é claro que o professor conta com a falta de experiência dos alunos - e com a incapacidade deles de perceber que tudo aquilo que parecia tão espontâneo e engraçado não passa de uma encenação. Sorte dele que a encenação é, para mim, a única maneira de atingir a verdade. Mas vamos voltar ao professor.
Um dos maiores críticos de teatro da atualidade. Pelo menos até um mês, quando escrevia para o maior jornal do Brasil. Ou seja, vale a pena escutar este cara. Mas tantos outros detalhes tiravam minha atenção. Ele é sério, muito sério. Tem a pose de acadêmico sisudo - que se abre para brincadeiras de quando em quando, mas conserva a postura de gente importante. Em suas histórias, não quer revelar os envolvidos. Porque acha que isso vai ter alguma conseqüência. É claro que vai mesmo. Mas o fato dele saber disso diz muito mais sobre o assunto. Ele não é um qualquer, é um iniciado nos trâmites da carreira acadêmica.
Por isso me olha como se fosse melhor do que eu. E ainda se envaidece quando percebe um olhar admirado. Cita Molière, porque não se sai de uma aula de crítica teatral sem citar Molière. O mesmo com Shakespeare. Ele não faz de propósito. Ele não parece fazer de propósito.
Mas me deu um certo nojo do procedimento todo. Eu volto para a aula da semana que vem, mas preciso me policiar para não desviar a atenção para o tal procedimento todo. Ele me lembra que, para ser bem sucedido neste meio, é preciso praticar uma habilidade conhecida como marketing pessoal. Entenda este meio por vida humana no século XXI. Ele conhece todo mundo no teatro. É amigo de todo mundo no teatro. E ainda assim acha que isso não prejudica em nada sua percepção dos espetáculos a que assiste.
Parte de fazer crítica de teatro é tomar chopp na Praça Roosevelt? É fazer parte da panelinha central do teatro? Como isso ajuda? É perfeitamente compreensível que ele queira se tornar amigo das pessoas que admira no palco, de quem fala bem de seu trabalho. Mas ele me perdeu. Meses antes de sua saída da Folha de S.Paulo, eu já não lia mais Sérgio Sálvia Coelho. Eu freqüento a praça, eu sei com quem ele anda, eu posso tentar dizer quem ele é. E posso encontrar em sua crítica resquícios muito profundos disso.
Outro ponto: o crítico que vem da arte, que se formou em direção teatral pela Usp e fez um mestrado em dramaturgia, não sabe o que é leitor. A noção mais clara do jornalismo é que ele não existiria sem este pequeno detalhe: aquele que abre a página do jornal e dá vida ao seu texto. Para o crítico que estamos criticando aqui, é óbvia a idéia de que a interpretação da platéia é parte do processo de composição de uma obra teatral. Mas não dá muito crédito àquilo que o seu público pode pensar do que lê. Entre os tipos de crítica, cita sempre o texto em relação ao encenador. A crítica pedagógica é aquela que ensina o encenador a melhorar seu trabalho. Então não existe um nome para definir aquela crítica que presta atenção no leitor e o citua no espetáculo? A postura é o equivalente a assumir - e fazer as pazes com - a idéia de que só quem lê sobre teatro é quem faz teatro. Eu leio. Eu não faço, eu gosto. É egoísmo demais querer que o jornal que eu comprei pense um pouco em mim?
Eu tenho um projeto de monografia sobre como o gosto - e o capital do gosto, já que eu ia me meter pelos franceses pra justificar isso - interfere na postura do crítico teatral. Para análise de caso, ia me concentrar em Folha, Estado e Bravo. Como estudo (pouco), trabalho (muito) e tenho um almanaque de séries para concluir, deixei pra fazer isso num futuro mestrado, que pode vir um dia se eu me sentir inteligente o suficiente e conseguir reunir cada gotinha de espírito acadêmico-prepotente que existe em mim.
Quem sabe eu consiga responder por que a crítica se concentra tanto nela mesma e nas pessoas de quem fala. Resenhistas sem formação jornalística (e os jornalistas ruins também) costumam tratar a crítica como um exercício de criação de uma obra de arte em público. O papel é seu palco. Dialogam com o objeto analisado, para usar termos mais científicos, na presença de uma platéia. Mas não conseguem olhar para os olhos de quem está sentado, tomá-lo pela mão e convidá-lo a participar do espetáculo.
Domingo, Outubro 26, 2008
Amabilíssimo
"Tudo é dar-lhe uma idéia e encher o centro que falta."
Machado de Assis em Dom Casmurro
Domingo, Outubro 19, 2008
Photoshop
- Ai, vou cortar você!
- Como????
- Tô falando com a foto!
- Ufa!
- Você achou que eu fosse te cortar?
- Eu pensei "peraí, não tem isso no Buddy Poke!"
Quinta-feira, Outubro 16, 2008
Medo
"Kassab is now following you on Twitter"
Eu juro que ia pagar a conta de luz. Não consegui ontem porque não tive tempo. Mas hoje eu vou, prometo...
Terça-feira, Outubro 14, 2008
My Own Word
"Já dizia o ditado que a vida é aquilo que acontece enquanto você está ocupado com outros planos. Eu diria que a vida é aquilo que acontece enquanto o agente secreto que habita dentro de mim e é minha segunda personalidade lida com bombas, agentes do governo e perigos mortais."
Ficção é vida. É só olhar para o lado que você vai encontrar: o cartaz de um filme, o livro que o garoto no ônibus está lendo, a peça de teatro em exibição do lado da faculdade. Quantidade produz qualidade. E também exige um verdadeiro espírito missionário para procurá-la.
Por isso a minha felicidade quando encontro alguma coisa que consegue, ao mesmo tempo, prender minha atenção, apelar para a minha inteligência e me surpreender. Raramente os três acontecem ao mesmo tempo em uma mesma obra. Aconteceu hoje.
Assisti a My Own Worst Enemy, série de TV protagonizada por Christian Slater que estreou recentemente nos Estados Unidos. Genial. Conta a história de Henry, um homem normal que, do dia para a noite, descobre que tem dupla personalidade. Pior: a personalidade dominante, aquela que tem certidão de nascimento e uma história real, não é ele.
Henry é Edward no documento de identidade, um agente secreto que trabalha para as forças federais dos Estados Unidos, tem um jeito sedutor a la James Bond e adora se envolver no perigo. Nove anos atrás, Edward entrou em um programa experimental que criou sua nova identidade - e de lá para cá os dois habitam o mesmo corpo.
Quando volta de uma missão, um agente especial treinado em tecnologias modernas cria as memórias que Henry vai ter daquele período e as insere em seu cérebro. Toda a reprogramação acontece por um aparelho de celular. Henry não se lembra de ter explodido uma embaixada rússia. Mas pode contar com detalhes quantas páginas do livro o gordo ao seu lado no avião para Chicago leu na ida. E como foi a (irreal) reunião de trabalho que ele teve lá. E Henry conta mesmo, para a mulher e para os dois filhos.
Henry sai de casa, vai trabalhar, seu cérebro dá um curto, vira Edward, combate o terrorismo, tem outro curto, e volta Henry sem se lembrar de nada, apenas daquilo que o governo quer que ele se lembre.
A série tem muitos triunfos. Christian Slater é um ator caça-bilheterias. Mas tem experiência suficiente para saber como deve se portar para continuar levando o público para a TV após a primeira exibição. Cativa e convence como os dois personagens que interpreta. O roteiro também é genioso. Mais do que uma história de espiões, é uma narrativa bem montada, repleta de piadinhas do gênero e deliciosas auto-ironias.
Mas o grande destaque da série é outro, mais profundo do que esta camada inicial. A discussão aqui é até que ponto a realidade em que vivemos é mesmo real. A verdade de tudo não é incontestável. E a ficção é um modo que temos de escapar dela. Aqui, é Edward que inventa Henry. O espião, cheio de atrativos em sua vida, inventa o homem comum.
Vale muito mais o que nós projetamos do mundo, a realidade que inventamos e tomamos como nossa, do que aquela que nos é imposta goela abaixo todos os dias. É possível, sim, escapar desta realidade. E não apelar para a ficção para cumprir este objetivo é angustiante a ponto de ser insuportável.
Em determinado momento do primeiro episódio, quando descobre que tudo não passou de ficção, Henry grita desesperado: "Eu preciso que minha vida volte a ser real!". A chefe do governo norte-americano ri e devolve: "Não se preocupe, Henry. Você pensa que é real."
Sábado, Outubro 11, 2008
Felizes para Sempre
Existe algo em comum entre minhas duas paixões: seriados e teatro. Os dois são obras abertas. Claro, tudo é uma obra aberta. O leitor precisa construir uma percepção dela, etc, e blá e blá e blá.
Mas falo do ponto de vista de quem faz. Quando se escreve um livro, você só apresenta sua obra ao público quando ela está terminada. Teatro, não. Por mais ensaios que aconteçam, a melhor apresentação sempre vai ser a última, aquela que encerra a turnê. E nenhuma será igual à outra.
Em uma série de TV, escrever é um salto no escuro. Não se sabe onde está pisando. As temporadas vão se sucedendo e o roteirista, correspondendo ao que ele acha que seu público quer ver na tela. Ou precisa ver na tela. A história, que ele começa a escrever hoje, pode só terminar daqui a dez anos, nunca se sabe. Ou pode ser interrompida abruptamente, depois de amanhã.
Por isso, as boas surpresas. Grey's Anatomy começou bem. Muito e incrivelmente bem. A primeira temporada é uma aula de roteiro. Diálogos rápidos, precisos e inteligentes, tramas que se ligam e se reforçam, personagens singulares e repletos de promessas de futuros conflitos. Promessas que se perderam no ar. O segundo ano é brilhante. O terceiro é a decepção completa e angustiante de qualquer fã.
Recentemente terminei, finalmente, de assistir ao primeiro episódio da quinta temporada, que estreou há algumas semanas nos Estados Unidos. Fala sobre contos de fadas e como eles nunca viram realidade. Melhor ainda: fala. Há tempos não assistia a um episódio que fizesse justiça a tantos sentimentos, tantas reviravoltas, tantas complicações que a vida tem.
Ultimamente, drama na TV tem sido a boa surpresa da minha semana. O gênero tem funcionado como um espelho em que eu me vejo. O que faz de alguns grandes obras primas é a coragem de mostrar inclusive os detalhes que eu preferia ignorar.
Assinar:
Postagens (Atom)